Samba Reggae e o dia Municipal

Sou um cidadão privilegiado e abençoado por Deus. 

Não vIm aqui contar a minha história biográfica, rsrs.

Más vivenciei um período histórico e importante na década de 70 e 80 no que se refere as batucadas, escolas de sambas, blocos de sopro e percussão, blocos indígenas e o início dos blocos afros Ilê Aiyê, Melô do Banzo, Puxada Axé, Ébano, Malê Debalê, Olodum, Ara Ketu, Muzenza, entre outros.

Eu tive uma escola imensurável de mestres, ritmistas e percussionistas, batuquei com muitos deles alguns anônimos e outros reconhecidos, a exemplo de Jaime Baraúna, Prego, Dedé, Mario, Jacó, Gilmar, Valdir Lascada, Senac, Neguinho do Samba, todos eles me influenciaram por tudo que sei e sigo levando esse legado.

Mestre Prego em especial, ele colocou um talabarte pela primeira vez no meu ombro para tocar um surdo de marcação, (gratidão mestre).

Neguinho do samba nos conhecemos nas diversas batucadas de Salvador. Ele quando ainda era um ritmista, já causava repercussão, imagina uma época dos cordões, blocos e escolas de samba tocarem o samba tradicional semelhante ao samba das escolas do Rio de Janeiro com repique sendo tocado só com uma baqueta e outra com as mãos. Baqueta de caixa e bateria como é conhecido, então neguinho só tocava com duas varinhas, essa de araçá ou vime semelhante ao aguidavi do Candomblé.

Então os diretores de bateria e os diversos ritmistas de repiques da época não via aquela forma dele tocar com bons olhos e não assimilava e não aceitava. Toda vez que ele começava tocar nos repiques, os diretores o mandavam tocar caixa ou tarol. 

Por onde ele andava ou frequentava, sempre levava as duas varinhas, nas rodas de samba tocando Bongo, Timbales até pandeiro ele tocava com varinhas ou com os dedos.

Minha relação com Neguinho cresceu ainda mais quando ele começa a se relacionar com minha irmã, acabamos sendo cunhados, dessa relação nasceu o filho Anderson Souza meu sobrinho. Neguinho viveu no Pelourinho envolvido com outras atividades de trabalho.

O Olodum já existia na regência de Valdir Lascada, e eu já tocando no bloco desde a sua fundação como ritmista. E quando o Olodum convida Neguinho do samba para assumir a bateria do bloco em 1983 ele sabendo que precisava de um auxiliar “segundo” regente, então ele me escolhe. Essa escolha não foi simplesmente por sermos cunhados, era porque eu tocava um excelente surdo de marcação.

Então ele na intimidade fala: “Jaquinho” quero você comandando a ala de marcação. No mais todos sabem o resultado do que foi nossa parceria Neguinho do Samba e Mestre Jackson.

Minha contribuição no ritmo Merengue, no projeto, Rufar dos Tambores com a banda mirim...

Nas minhas diversas entrevistas ou depoimento, sempre exaltei o mestre Valdir Lascada quando ele introduziu o reggae percussivo em uma musica Coração Rastafári bem antes do Neguinho entrar no Olodum. Entendam que isso não significa que foi Valdir lascada o criador do samba reggae, apenas ele teve a percepção devido ele ter introduzido as duas baquetas de marcação no Olodum. 

Neguinho do Samba quando assume a bateria claro, é ele que modifica totalmente a forma dos ritmos tradicionais dos blocos afros. Nasce ali a sua batida e performance do ritmo que seria um fenômeno musical e explosão do movimento percussivo no Olodum da Bahia para o mundo, com a visita de Paul Simon para gravar o ritmo nomeado de Samba Reggae.

Como em toda relação existe diferenças e divergências não seria diferente EU e Neguinho dentro do Olodum, então quando nós estávamos sem vínculo artístico e profissional, continuamos nos tratando com o mesmo carinho e respeito NEGUINHO e (JAQUINHO forma carinhosa que ele me chamava).

Devo agradecer a Deus e a você, por ter mim dado a oportunidade e o prazer de criar esse ritmo que atravessou e influenciou o mundo.

Obrigado, você sempre será exemplo. 

Salve o SAMBA REGGAE e viva Neguinho do Samba

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