
Texto de Cristovão da silva
Extraído do livro “Canto em Ação” da Fundac - Fundação da criança e do adolescente
Lembro-me muito bem no meio da década de 80, quando em Santo Amaro, surgiram alguns blocos afros, lá estava o UHURU-EBY, do qual eu fazia parte. Apesar de termos descendência negra, era tudo novo para nós, então realizamos varias viagens para Salvador e em uma dessa visitas à capital, fomos ao Pelourinho, quando o bloco OLODUM, começava explodir o Pelô e para chegar à pequena quadra onde ensaiava a bateria de tão contagiante o ritmo, foi difícil, devido ao grande numero de pessoas, mas depois de muitos empurrões conseguimos chegar ao excelente som. Dos muitos percussionistas, um chamou-me mais atenção... Logo em seguida este saiu do meio dos seus colegas e assumiu a direção da banda e o show ganhou uma nova dinâmica. Bom, mas tínhamos que voltar para Santo Amaro e ficou apenas a lembrança daquela cena ensaias tica show, beleza.

Alguns anos passaram-se e noticiou à separação de alguns membros da percussão do bloco OLODUM, surgiu durante a separação à banda RAÍZES DO PELÔ, (a banda show, que muitas apresentações fez inclusive uma temporada com a cantora Gal Costa) e na direção da banda estava aquele rapaz, que na década de oitenta se destacara no então surgido bloco OLODUM, brilhando com o nome Jackson, ou melhor, Mestre Jackson.
Tive uma grande satisfação, quando em 1991, entrei no Bando de teatro OLODUM, que me possibilitou varias conquistas e em silêncio eu agradecia aquela primeira formação da Banda reggae OLODUM.
Passei a trabalhar na CAM (casa de acolhimento ao menor), com medidas sócioeducativas com adolescentes infratores. Um ano após tive o prazer e a satisfação de conhecer Mestre Jackson, que passou a desenvolver um trabalho sócioeducativo através da percussão, para aqueles meninos e meninas carentes de uma política social mais justa. Em pouco tempo o seu trabalho passou a ser reconhecido por todos, principalmente pelos adolescentes.
Passamos a ter uma boa relação pessoal e profissional.
Em agosto de 1998 fomos trabalhar na nova unidade CASE (comunidade de atendimento sócioeducativo) e o Mestre Jackson realizou ao longo de cinco anos as melhores manifestações culturais da CASE, mas o que me chama mais atenção é a figura positiva que o mesmo foi e é para os adolescentes. Muitas foram às situações difíceis que a unidade passou e o Mestre, com a sua liderança positiva, ajudou a contornar, a exemplo: a maioria dos adolescentes uns 60 a 70, estavam na quadra de esporte reunidos para realizarem uma rebelião, então que surgi o Mestre e com seu dialogo consegue acalmar os meninos. O Mestre Jackson, com sua paciência, postura, pacifismo, alegria, profissionalismo, conhecimento musical e preocupação com a humanidade vem conseguindo ajudar na auto-estima de vários meninos em situação de risco, além de possibilitar perspectivas positivas e direcionamento na vida.

O trabalho do Mestre vem colaborando no processo de reversão do quadro desastroso historicamente articulado pelos grupos dominantes), que a falsa abolição da escravatura constituiu; milhares de negros estão nos piores seguimentos da vida, tendo como uma das conseqüências principais a privação de liberdade.
Vale ressaltar que ele é também responsável pela difusão do Brasil musical na Bahia no Brasil e no Mundo propiciando a varias pessoas sonhos e conquistas artísticas, na vida pessoal, com a marca “OLODUM”. Eu agradeço, e vou agradecer sempre, pelo OLODUM que ele ajudou a criar, pelo novo ritmo, pois daí surgiu o Bando de teatro OLODUM, do qual eu fiz parte e teve importância principal na minha auto-estima.
Que Deus, os irmãos de luz e todos os Orixás, voduns e inquices o abençoe, ilumine e guarde para todo o sempre.
“Axé,” “Amem,” que assim seja.
Do admirador,
Cristovão da Silva
Diretor, ator e professor de teatro.
Comentários
fique com deus meu grande mestre.
neo!