
Desde que os negros aqui chegaram se organizaram em grupos para através da música, celebrar datas, realizar rituais, promover grandes festas. Assistimos na Bahia uma gama quase infinita de ritmos, proveniente da cultura negra, que compõem o cenário musical do nosso Estado. No inicio dos anos 90 passou a acontecer uma verdadeira revolução musical. Formaram-se pequenos grupos de percussão, organizados por garotos de baixa renda, nos principais bairros de Salvador e região metropolitana. Devido a grande explosão das bandas Olodum e Timbalada, surgiram crianças batendo latas nos quintais e esquinas, tocando em bujões plásticos e materiais alternativos. Com o passar do tempo essa pequena forma de lazer foi criando raízes, passando a ser trabalhada, do ponto de vista técnico e profissional, em caráter socioeducativo. O Grupo de percussão de crianças e adolescentes da Associação Beneficente Cultural Unjira Quinã, - integrando as ações comunitárias, teve origem neste mesmo contexto, e hoje este trabalho é desenvolvido pelo Educador e Percussionista Mestre Jackson. A banda foi denominada Banda UNJIRA, tendo como objetivo o desenvolvimento de habilidades musicais e de socialização, centrada na valorização da cultura e da vivência social. A banda não tem só a música na sua concepção; tem amizade, ação social e responsabilidade. Tirando dos instrumentos de percussão um som "afro-mágico", gostoso de se ouvir, que se concretiza enquanto experiência integradora. Os estímulos criativos resultaram em músicas de autoria dos grandes compositores, que falam de conteúdos como: liberdade, protesto, conquista, alegria e tristeza, de si e do povo afro-brasileiro, extravasados na suavidade e ritmo da Banda UNJIRA. E Hoje a Banda UNJIRA vem ganhando notoriedade com diversas apresentações de intercâmbios artísticos e em atividades cívicas. O Homem não se faz só de ritmo, mas de cultura, sabedoria e bom senso.
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